Estamos prestes a mudar a nossa relação com a internet e com as redes sociais

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

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Por mais que a internet e as redes sociais sejam coisas que fazem parte da nossa rotina e, na maioria das vezes, quando a gente acorda já vai logo conferindo o que tá rolando, ou não resiste aquela espiada antes de dormir, esse hábito é relativamente novo. Eu por exemplo, fui ganhar meu primeiro computador em 2001 e ter meu primeiro smartphone, que nem era tão smart assim, em 2007. A verdade é que a gente ainda está aprendendo a se relacionar com o mundo virtual e assim como todo relacionamento, começamos vivendo aquele primeiro momento, tórrido de paixão, em que nada mais parece fazer sentido sem o outro e nada parece mais divertido.

Quando as redes sociais entraram nas nossas vidas elas eram um lugar mágico, era possível se conectar muito fácil com pessoas que acreditavam nas mesmas coisas que você, compartilhavam os mesmos gostos, ou conversar por horas com aquele amigo de escola que você achou que nunca mais iria encontrar. Eu lembro que foi justamente por isso que eu criei a comunidade do GWS lá em 2005.  Nessa época as redes sociais eram inspiradoras. Um lugar que a gente ia pra fugir das coisas chatas do dia a dia. Da escola, do trabalho, das discussões na rua, dos problemas da rotina. Pra conversar com gente legal, trocar ideias, informações e principalmente para se divertir.

Hoje as redes sociais, mais parecem campo de guerra. Estamos vivendo uma era de explosão da informação e da opinião. É só passar 1 minuto no facebook que você fica sabendo os “assuntos” do dia, geralmente, carregados de bastante polêmica e claro, chuva de opiniões, que as pessoas nem fazem mais questão de esconder que consideram verdades absolutas. Apenas um post gera tanto, tanto stress e confusão e uma chuva de comentários que não parece ter fim. Facebook virou mural de discussão política, social, racial e tudo, absolutamente TUDO vira discussão. E claro, quanto mais compartilhar aquele post absurdo, melhor. Afinal, o legal é postar o que você não concorda e escrever textão sobre isso. E eu não tô falando daquela discussão saudável não! Tô falando de discurso de ódio, de humilhação, de falta total de respeito ao próximo. Eu sempre fico na dúvida de quem faz o comentário mais agressivo, a pessoa que fez o post dito ofensivo ou quem se sentiu ofendido.

Isso sem contar nos comentários raivosos totalmente gratuitos, né? Tipo, daqueles que a pessoa posta uma selfie no instagram dela, feliz da vida e sempre tem um ser ~cheio de amor~ para escrever comentários super construtivos como: “feia”, “cheia de plásticas”, “que cabelo horroroso”. Eu juro que já desisti de tentar entender o que leva a pessoa a usar horas do dia dela para esse tipo de coisa. Tem gente que perde tempo até criando perfil falso, só para destilar mais ódio por aí em “segurança”.

E se você a essa altura do texto está pensado: “Mas não é melhor um mundo aonde a gente discute privilégios? Aonde falamos abertamente sobre política, machismo, preconceito?”. SIM. Com certeza é um mundo melhor. Eu fico emocionada e feliz quando leio principalmente sobre garotas adolescentes que estão se posicionando sobre machismo na escola, nas ruas e estão se tornando mais confiantes e com a autoestima melhor. Eu não tenho dúvidas que uma grande parcela desse posicionamento, foi aprendizado adquirido nas redes sociais e nos blogs. Mas o fato é que uma boa parte de pessoas online não estão ali a fim de passar nenhum conhecimento e me arrisco a dizer, nem um pouco a fim de aprender. Não estão ali para fazer um post construtivo em um blog, ou divulgar um trabalho social legal. Elas estão ali procurando pessoas para agredir, pra repetir palavras, discursos da razão absoluta. E pronto, basta uma pessoa acender uma faísca para um post no facebook virar batalha épica. O pior é perceber que a grande parte acha que está fazendo uma coisa positiva.

As redes sociais se transformaram em um lugar carregado, pesado, cheio de ódio gratuito, donos da razão, aonde o mais chocante é: Ninguém tem razão. Nem quem ofendeu, nem que se sentiu ofendido. Porque na maioria dos casos, a discussão é vazia e com tanta, tanta raiva e pré discursos prontos que nada vale a pena ler e refletir. Quem fica dentro da guerra, comentando, compartilhando e debatendo ACHA que está gerando uma reflexão nas pessoas, mas quer saber? Não está. O que está acontecendo é justamente o contrário: As pessoas estão ficando cada dia mais de saco cheio da internet e cada dia se voltam mais para elas mesmas e para a vida real. Em uma rede, só discussão e na outra, já descobrimos que aquelas pessoas que a gente achava que inspirava, só frustra. Seguir a musa fitness não te deixa mais sarada, nem seguir aquela blogueira milionária te deixa rica. Aos poucos, estamos percebendo que passar horas do seu dia alimentando redes sociais, fazendo fotos bonitas de realidades que não existem é vazio. Nosso valor virou quantidade de followers no instagram, de likes no facebook. E você passa horas do seu dia pensando (e se estressando) em criar conteúdo para se tornar popular. Ou pior: Você cria um conteúdo destinado a um certo grupo e como a redes sociais pertecem a todo tipo de gente, aquele post que foi pensado pra um publico específico, acaba chegando na timeline de quem não interessa e o que era para ser bacana e inspirador, acaba se tornando palco de discussões e ofensas.

Não, eu não acho que vamos deixar de usar a internet e as redes sociais. Só acho que vamos começar a usar de uma forma mais saudável, desacelerada e seletiva. Estamos a cada dia percebendo mais que não precisamos estar em todas as redes, nem ter uma opinião sobre tudo. E principalmente, que não temos o compromisso de postar nada. Escrever, fotografar ou fazer um vídeo deveria ser algo orgânico e não uma agenda de compromisso.

Esse movimento tem até nome e se chama slow internet, Um irmão virtual do slow fashion em que a ideia é desconectar, para conectar. E se você está passando mais tempo offline, já não tem mais tanto interesse nas redes sociais e entrando diretamente nos sites que você gosta, sem perceber, você está praticando slow internet.

Uma das investidas desse novo movimento é da atriz e roterista de GIRLS, Lena Dunham com a sua Lenny Letter. Em um entrevista, ela conta que sentia vontade a muito tempo de ter um espaço com conteúdo sobre moda, saúde, entretenimento e feminismo, mas que não sentia vontade de colocar isso em um blog ou nas redes sociais por sempre ter sido alvo de muita agressão gratuita na internet. Foi aí que ela pensou em criar uma newsletter, assina quem realmente  tem interesse no conteúdo. Recentemente, Essena Oneill, com mais de 500 mil seguidores no Instagram, 200 mil inscritos em seu canal no Youtube, abandonou as redes sociais. E esse desejo está crescendo cada dia mais em mim e, com certeza, em vocês.

Fazer da internet um espaço mais saudável e inspirador, só depende de você.

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