Por que nos sentimos tão feias? Uma análise da autoestima feminina

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyana Assumpção:

Sempre brinco que tem alguns hábitos das meninas que viram hábitos porque foram cultivados desde novinhas, tipo usar salto alto. Meninas que amam saltos começam a usar ainda bem novas. Não estou aqui generalizando, mas nunca conheci nenhuma menina que amasse saltos e tenha começado a usar depois de adulta. É tipo aprender a nadar. Eu não sei nadar ou usar saltos, mas amo maquiagem. Amo mesmo e engraçado, foi um amor que começou a crescer em mim já na casa dos 20.

Tentei aprender ambos, a usar make e andar de salto, mas pulei a generalização e aprendi a usar maquiagem. Passo horas e horas nas madrugadas de insônia vendo tutorais no youtube. Quando tenho que ir trabalhar nas minhas festas e não tenho tempo pra fazer um olho com cinco cores me sinto frustrada. Admito que amo o processo todo, o cuidado, toda aquela coisa de se cuidar e ligar pros mínimos detalhes. Acho que é muito o momento do meu dia que foco apenas em mim e no que me faz bem. Quando estou mal com a vida a maquiagem não sai bem feita. Minha maquiagem reflete meu estado de espírito. Minha maquiagem é minha diversão, é algo que me faz bem, que gosto de escolher e estudar e passar horas na loja testando cores e texturas.

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Mas eu não uso maquiagem todo dia. Basicamente só uso em dia das minhas festas no fim de semana. Eu não me sinto obrigada a usar maquiagem, eu GOSTO de usar maquiagem e pra mim, essa é a linha tênue que algumas mulheres precisam entender e que a terça sem make sempre tentou passar para vocês. Na minha concepção se você se sente feia sem make, se acredita que precisa dela para ir na padaria e pior, para estar apresentável, melhor pensar duas vezes. E fica a pergunta: O quanto você gosta e o quanto você acha que precisa de alguma coisa?

Há poucas semanas rolou todo aquele drama por causa da Renée Zellweger. Assumo que fiquei assustadíssima. Eu sou grande defensora do “faça o que você quiser” e cada uma de nós sabe de seu corpo e de suas vontades,mas como não ficar assustada quando uma pessoa vira outra? Por favor entendam que não estou cagando regra aqui no rosto de ninguém, mas fico pensando o que leva uma mulher a estar tão insatisfeita consigo mesma a ponto de mudar e ser outra pessoa?

Vou citar aqui um exemplo sobre minha vida. Em 2010 eu resolvi ser loira. Entrei em crise e não aguentava mais minha cara, minha vida, meus amigos, minha família e falei VOU MUDAR. Platinei o cabelo. Dava um trabalho gigante, e eu que sempre tive o cabelo preto natural, liso, que lavava o cabelo e ia dormir e acordava linda, estava tendo que pesquisar sobre xampu que tirava amarelado e hidratação profunda. Fique nessa por seis meses até que um dia eu sonhei comigo mesma e nesse sonho eu aparecia com meu cabelo preto natural. Percebi que não me reconhecia no espelho, não me reconhecia como loira, não me reconhecia naquela imagem e não adiantava muito mudar externamente, minhas questões eram internas. Voltei a ser morena. Era mais fácil lidar com meus problemas me reconhecendo no espelho. E é esse convite que faço para vocês: Percebam quantas vezes a gente quer mudar por fora quando o que a gente precisava mesmo era cuidar do nosso psicológico?

aspas2Vocês talvez lembrem do meu texto sobre ser gordinha durante a vida inteira e todas as loucuras que fiz pra me encaixar. Devem lembrar quando eu falava que não me arrependia de nada. Acho lindo quem levanta a bandeira de ser linda como se é e eu amo tanto todas essas mulheres que se aceitam como são e vocês são realmente lindas, continuem sempre assim, continuem me dando força. Mas eu não sou assim, eu tenho tantas questões e tantas inseguranças que mal consigo lidar comigo mesma. Desde que me assumi como feminista já melhorei tanta coisa em mim e a forma que enxergo o mundo. Mas percebo que foi muito mais fácil mudar a forma que enxergo os outros que a forma que enxergo a mim mesma. Eu vejo beleza em mulheres ao meu redor, sou sempre aquela que está dando apoio a autoestima das amigas mas quando me enxergo, não é bem assim. Porém ainda me assusta o caso da Renée Zellweger. Já ouvi falar de casos de pessoas que fizeram cirurgia de redução de estômago e emagreceram tanto que perderam sua identidade e tiveram uma crise. Se alguém me oferecesse uma forma mágica de perder uns vinte quilos eu toparia na hora sem perguntar muita coisa sobre o processo, mas no geral, me pergunto o quanto de fato  isso mudaria a imagem que tenho de mim.

Sobre toda essa história da Renée Zellweger, sobre meus problemas de auto imagem, sobre as moças maravilhosas que militam sobre a beleza real das mulheres, fica aqui apenas minha conclusão: Como viver em um mundo que nos diz o tempo todo que não somos bonitas? Como é se odiar tanto a ponto de mudar todo o seu rosto e parecer uma outra pessoa que não você mesma apenas porque você passou a vida inteira ouvindo críticas sobre sua beleza? Como acordar feliz de manhã e sair de casa com pessoas o tempo todo falando sobre seu cabelo, seu rosto, sua barriga, suas coxas? Como se sentir depois de ser esculachada pelo cara que você gosta porque ele não te acha bonita o suficiente? Como ser normal e manter uma autoestima elevada com o mundo inteiro te bombardeando e te chamando de feia? Como não se sentir oprimida por toda a propaganda gordofóbica travestida de propaganda saudável quando você só quer comer um pão de queijo recheado e ser feliz? Como tirar do estômago forças pra viver? Diariamente somos bombardeadas com mensagens de que não somos boas o suficiente, como bem disse a Nuta em entrevista para o programa Mais Você.

A questão desse texto não é o fato da Renée ter mudado seu rosto e sim uma oportunidade para analisarmos o que está errado de fato. Por que toda mulher sente que PRECISA mudar algo? E por que diabos todas nós já nos sentimos muito feias? Isso não é normal.

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Lembro de um episódio de Girls que a Hannah fala que ninguém pode ofendê-la com qualquer xingamento porque todos esses xingamentos ela mesma já tinha feito a si mesma antes. É duro se identificar com uma fala assim, mas um texto desse só é escrito porque já foi um sentimento real da Lena Dunham assim como de todas as mulheres. Por isso, obrigada a todas as moças que mostram seus pelos, suas gorduras localizadas, suas peles com marcas, quem tem coragem de mostrar que tá tudo bem não ser igual as revistas e ao cinema, que é possível sim tirar autoestima de dentro de si mesma. Tá tudo bem também amar maquiagem, salto alto, estar depilada, usar hidratante. Tá tudo bem se sentir bem da melhor forma possível com seu corpo. Só não tá tudo bem sofrer por causa disso. Mas tudo bem, um dia a gente chega lá.

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